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Fotógrafa cria concurso para combater preconceito contra o autismo

RIO — Se uma imagem vale mais do que mil palavras, por que não usar fotos e desenhos para revelar, com o auxílio luxuoso da arte, o que é o autismo sob diversos pontos de vista? Fazer um retrato particular e, ao mesmo tempo, público dessa condição caracterizada por déficits na comunicação e na interação social é a proposta do Revelautismo, um concurso idealizado por Noélia Albuquerque e Gabi Pontes, moradoras da Vila da Penha, que terá como resultado final a produção de um livro eletrônico.

Para participar, basta o candidato entrar no site www.caentreclicks.com.br, seguir as instruções do edital e enviar até o dia 12 de outubro uma fotografia ou uma ilustração que traduza a sua vivência em relação a esse transtorno comportamental de amplo espectro. Além de mostrar a perspectiva visual sobre essa condição, os participantes, autistas ou não, podem (e devem!) contar histórias que tenham ligação com o tema.

Professora de fotografia, Noélia sentiu necessidade de jogar luz sobre o autismo depois que seu sobrinho-neto, Benjamin, de 4 anos, foi diagnosticado com síndrome de Asperger, uma variação do transtorno. A proximidade com Gabi, mãe do autista Betinho, de 5 anos, só reforçou o desejo de criar um movimento artístico para desmistificar o assunto.

— Existe tanto preconceito, dizem que autistas são deficientes ou pessoas com habilidades quase sobre-humanas. As ideias são equivocadas, há muita desinformação; então, quando o diagnóstico chega, é difícil lidar, vem uma sensação de luto. Por isso, é tão importante trocar experiências, vivências e olhares sobre essa questão — diz a fotógrafa.

Segundo Noélia, há pouco espaço para essas pessoas poderem elas próprias expressar suas narrativas sobre a vida com autismo.

— Assim, pretendemos estimular a troca de experiências, revelar os olhares singulares de pessoas cujas vidas são permeadas pelo Transtorno do Espectro Autista (TEA), democratizar espaços, estimular a criatividade dos participantes, trazer material para o ativismo e propiciar maior conscientização do público geral acerca de experiências reais com quem vive com essa condição — diz.

O diagnóstico do sobrinho-neto, conta Noélia, trouxe aprendizados:

—Descobri que o normal não existe. Somos todos diferentes. Uma das minhas intenções com o Revelautismo é dar visibilidade à ideia de que o ser humano precisa de inclusão, respeito às diferenças e afeto.

Por Regiane Jesus

Acesso em: https://oglobo.globo.com/rio/bairros/fotografa-cria-concurso-para-combater-preconceito-contra-autismo-1-24671117

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