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Diário de um pré candidato da Inclusão. O Início – Semana 01

*as fotos nessa publicação foram tiradas antes da pandemia.

Começo aqui uma serie de textos em que pretendo expressar o que estou sentindo e vivenciando nesse processo de eleição. Sem preocupações com estética, com marketing. Talvez alguém leia, talvez não… só espero que isso sirva como um espaço das pessoas estarem mais perto do que se passa em meu coração.

O primeiro diário será uma brevíssima retrospectiva que me trouxe até aqui. As próximas serão um retrato do nosso dia a dia de pre campanha.

Nunca imaginei ser candidato em qualquer eleição. Apesar de desde menino me interessar pela política e principalmente pela organização popular por direitos, apesar de fazer parte da história do movimento estudantil brasileiro, apesar de ter sido dirigente da JR8, do MR8 e do PPL, sempre me doei por princípios e ideais de um mundo melhor, sempre na organização, sempre com uma atuação que não se propunha a ter visibilidade.

Em 2015 tivemos, eu e Aninha, o diagnóstico de autismo do Miguel. As agruras e angústias que acompanham o diagnóstico, a peregrinação por respostas, diagnóstico e terapias, a luta para saber como ajudar nosso filho, tudo isso me conduziu para uma nova consciência sobre o meu ativismo.

Já não falava tão somente da politica econômica neoliberal, sobre os aspectos gerais da política nacional sobre a entrega do patrimônio público e os direitos trabalhistas , mas passei a bradar também por direitos das pessoas com autismo e das pessoas com deficiência.

Conheci a UPPA, Uniao de Pais Pelo Autismo, que foi minha rede de apoio, onde encontrei um sem número de pessoas que viviam realidades tão singulares, mas ao mesmo tempo tão próximas das que vivemos.

Foi Ali que conheci a Adriana Czelusniak, a Thielen Roth, a Fernanda Sens, o Nando, a Dani, Oscar Perin, Lu e tantas pessoas maravilhosas.

Na época trabalhava na assembleia legislativa com o Deputado Márcio Pacheco.

Tenho orgulho de sentir que contribuí significativamente para dar um “boom” nas mobilizações por politicas publicas para a área. Realizamos a maior audiência pública de autismo já feita no Paraná, pela primeira vez no plenário principal. Fizemos seminários e eventos, realizamos o 1° Fórum Estadual de Entidades do Autismo algo inimaginável a pouco tempo, idealizei projetos que viraram leis no Paraná como o Censo Estadual do autismo, a carteira de identificação do autismo, a semana do autismo, a isenção de pedágio para pessoas com autismo e síndrome de down, os centros avançados de treinamento e qualificação de professores, o projeto que obriga as instituições de ensino a produzir provas mediante negativa de matricula, o cinema adaptado, entre outros…

Algumas lideranças do autismo começaram a me tratar com certa hostilidade e de forma subterrânea me depreciavam tão somente por fazer parte da UPPA e por trabalhar com um deputado, com um discurso que a UPPA era elitista, sem lastro com a realidade visto acolhimento que a UPPA sempre fez junto as famílias, independente da classe social das pessoas.

Sempre considerei isso, como algo natural, essa aversão a política, que nao é inerente as pessoas ligadas a causa do autismo, mas algo intrínseco ao momento social que vivemos, onde impera o oportunismo e a desconfiança com aqueles que colocam a politica no centro das mobilizações…

Infelizmente (ou felizmente) é só através da politica que podemos mudar a realidade das pessoas.

Respeitei e respeito todos os ativistas da inclusão. Sei que a vida de cada um carrega todo um mundo de adversidades.

O importante sempre foi a luta e fiz um esforço danado para juntar todas as associações e ativistas sob a mesma causa, sob a mesma bandeira de luta pela inclusão. Em partes tivemos sucesso… prefiro dar mais valor ao meio copo cheio do que ao meio copo vazio…

Nesse período estava organizando, como Secretário Estadual de Organização do PPL, a chapa de deputados federais e queria muito que tivéssemos uma candidatura que levantasse a bandeira do autismo, que representasse nossa causa.

Convidei a Adriana Czelusniak para ser candidata, convidei o Oscar Perin para ser candidato… mas por motivos pessoais ambos não acharam que aquele seria um bom momento para assumir esse desafio.

Já estava desistindo, quando a Adriana Czelusniak me motivou a ser eu mesmo o candidato.

Sinceramente não queria… não sentia que tinha “tempo de estrada” suficiente em comparação a outros ativistas para bem representar a causa.

Mas nossos objetivos eram e são nobres e resolvi pela primeira vez me colocar como representante da causa. Foi uma batalha muito desigual. Enquanto um conhecido deputado federal, que provavelmente será candidato a prefeito, e que em certo ponto atua na causa do autismo, recebeu 1 milhão e 500 mil reais de fundo partidário, minha campanha recebeu apenas 1200 reais do mesmo fundo.

Não obtivemos a vitoria eleitoral, mas gosto de pensar que tivemos uma importante vitória politica, não pessoal para mim, mas para causa do autismo. Foram 5350 votos espalhados em mais de 220 cidades do Paraná, milhares e milhares de pessoas impactadas com nossa causa.

Nos últimos dois anos assumi a presidência da UPPA onde realizamos mais de 70 atividades de acolhimento, conscientização e luta por direitos da pessoa com autismo. Tenho muito orgulho de ter sido presidente dessa importante associação.

Eu sabia, e inclusive avisei a todos antes de assumir a presidência da UPPA, que teria de sair antes do fim da gestão para ser candidato a vereador. Mas porque que eu teria de fazer isso? Porque o patrimônio de apoios que consolidamos dois anos antes me preenche de um senso de responsabilidade muito grande para continuar defendendo a inclusao e ser uma alternativa para enfrentar os problemas reais das políticas publicas.

Não é fácil se expor em ser pré candidato a vereador. Não é fácil ter que fazer conversas diárias, ter de fazer artes de publicações, ter de pensar em eventos, organizar e motivar uma coordenação de campanha, estudar e nao ter medo de se posicionar… em fim, não é fácil! Ainda mais no meio de uma pamdemia, ainda mais com as dificuldades financeiras, ainda mais com um filho autista tendo dificuldades nesse periodo de isolamento, ainda mais com a radicalidade da divisão dos brasileiros frente a politica… nao é facil.

Se consigo ir com energia nessa luta é porque tenho a Aninha, o Miguel e muitos amigos que estão sonhando juntos.

Acho que a gente não veio pra vida só para as coisas fáceis, mas principalmente para ter a coragem de enfrentar. Ousadia de se sobrepor a um sistema que é feito para eleger somente aqueles que dispõe de recursos ou que representam os interesses mais escusos de Curitiba.

Estou confiante, estou de coração aberto e com muita energia para alcançar a vitória e assim poder ajudar a melhorar a vida das pessoas, pois ao fim e ao cabo, a politica só é válida se servir ao povo.

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