Em Curitiba: Centro de Referência em Autismo.(É pra aplaudir ou pra criticar?)

Na última semana fomos surpreendidos pela notícia da prefeitura municipal de Curitiba, sobre o lançamento de um Centro de Referência em Autismo, voltado para as crianças com TEA da rede municipal de ensino.

(Se você não tem paciência para textão, já adianto que em minha opinião é sim para aplaudir! Mas vc pode acompanhar toda postagem para formar sua própria opinião)

Na semana passada, enquanto estava reunido com Denise Moraes da Assessoria da Pessoa com Deficiência de Curitiba, ficamos sabendo da notícia da criacao do tal Centro de Referência e prontamente marquei uma reunião com a Diretora do Departamento de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado, Gislaine Coimbra Budel, com o objetivo de conhecer mais sobre este Centro de Referência.

As manifestações, até agora, foram as mais diversas.

As manifestaçoes

Se a maioria das pessoas comemorou a iniciativa, também é verdade que não foram poucos os que não perderam tempo para criticar.

Em seguida volto a comentar sobre as criticas e os elogios, vamos a reunião:

A Reunião

Cheguei em torno das nove horas da manhã no Departamento de Inclusão da Secretaria Municipal de Educação… para minha boa surpresa, a primeira coisa que vi ao entrar foi um portal de balões em alusão ao símbolo do autismo.

O departamento está de casa nova, ou melhor, de andar novo. Antes no terceiro andar, agora está ocupando o nono andar do Edifício Delta que fica na João Gualberto. A mudança estava em pleno curso, pessoal de manutenção carregando uma coisa aqui, outro furando uma parede alí. O telefone toca, e alguém vem correndo da outra ponta da sala para atender, pois todos os demais estavam correndo com alguma coisa.

Para os que dizem que servidor público não trabalha, basta alguns poucos minutos no Departamento para ver que pelo menos ali, a história é bem outra.

Conheci a Gislaine no ano anterior quando do debate sobre os estagiários que acompanham os alunos autistas. Com 35 anos de dedicação às questoes da inclusão, Mestre em Educação, com diversas especializações na área da educação inclusiva, em cognição e Neuropsicologia, ela também foi finalista do prêmio Jabuti com sua obra MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO ESPECIAL.

A Diretora Gislaine me atendeu da forma acolhedora que lhe é habitual, informou que são atendidas 2565 crianças público alvo da educação especial nos CMEIs e Escolas, sendo destes, mais de 1000 autistas. De acordo com a Diretora, todos acabam tendo o atendimento através das Salas de Recursos, do Atendimento Educacional Especializado e dos CMAEE.

O que seria os CMAEE e qual a diferença deste para a Sala de Recursos?

O CMAEE é o Centro Educacional de Atendimento Especializado, existindo um em cada Regional de Curitiba. Diferente da Sala de Recursos que busca estruturar, adaptar materiais e metodologias pedagógicas para o ensino, os CMAEE,s tem um foco maior nas habilidades cognitivas e comportamentais, potencializando as competências sociais e ajudando no desenvolvimento das crianças.

E o Centro de Referência?

Bom… de acordo com a Diretora Gislaine havia uma percepção de que muitas crianças com autismo que frequentam a rede pública, não tem nenhum tipo de atendimento especializado, seja por não ter plano de saúde, seja por não conseguir atendimento na área de saúde.

Foi através de uma conversa com a Secretária Municipal de Educação, Maria Sílvia Bacila, que decidiram montar um “grande CMAEE”, com a diferença que esse ao invés de atender todas as deficiências e transtornos seria exclusivo para o atendimento da pessoa autista.

Depois de muito pesquisar imóveis centrais, decidiram trazer o atendimento para o andar do Departamento de Inclusão, deixando ainda mais próximo a gestão do atendimento.

O Centro de Referência na verdade se chama CENTRO DE ENSINO ESTRUTURADO PARA O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA, e os profissionais (professoras, pedagogas, e psicopedagogas) estão tendo formação com a renomada Viviane de Leon, credenciada internacionalmente em TEACCH.

O Centro atenderá 300 crianças por semana, 60 por dia.

Opinião Final

Não há como não aplaudir iniciativas importantes como essas. Porém é fundamental assimilar as críticas que surgiram como um sintoma de algo que ainda não acertamos no ponto do atendimento da criança com autismo. E digo criança, pois se pensarmos no autista adolescente e adulto, aí o buraco é mais embaixo.

Quando o poder público faz a divulgação de um Centro de Referência em Autismo, rapidamente pensamos nos atendimentos terapêuticos: neuropediatra, psicólogos, fono, terapeutas ocupacionais e demais profissionais que as crianças tanto precisam para seu desenvolvimento.

É verdade que o Ambulatório Enccantar ainda é muito pouco pra grande demanda reprimida em saúde e que precisaríamos muito de um centro de referência com terapeutas da área da saúde, e daí nasce toda sorte de críticas, resvalando muitas vezes para critica inconsequente, porém com motivações de fundo que dizem do abandono do poder público.

Esse não é um problema exclusivamente Curitibano. É nacional. Curitiba, aliás, já há alguns anos tem sido pioneira em ações voltadas à causa do autismo.

Parabéns a Secretária Municipal de Educação, e principalmente a Diretora Gislaine Budel, pela ação pioneira em nossa cidade. Estaremos acompanhando e torcendo pelo bom funcionamento do Centro.

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