Autista de 8 anos sofre abuso sexual dentro de abrigo em Bauru

a violência contra crianças é indefensável, contra uma criança autista é inacreditável

Ao nos depararmos com uma manchete dessas: “Autista sofre abuso sexual”, somos acometidos por todo tipo de enjoo, vertigem e incompreensão. Nossos filhos autistas, recebem o apelido popular de anjos azuis, justamente porque em geral sua inocência os caracteriza, e saber que uma situação trágica dessas ocorre, mobiliza amplamente nossos sentimentos.

Pois ocorreu em Bauru/SP.

Você pode acessar o artigo com a notícia completa clicando aqui ou aqui.

As causas da violência

Meu objetivo com esse artigo não é fazer o relato do acontecido, mas tentar discutir a questão de fundo: quais fatores contribuem para violência, abandono e negligência de crianças e adolescentes em casas de abrigo?

Existe um problema sistêmico no financiamento das casas de abrigo, que levam a situação de abuso sexual, abandono, violência e todo tipo de situação degradante que atinge crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, e nisso especialmente crianças autistas.

Um pequeno município de até 20 mil habitantes, que corresponde a realidade de quase 70% dos municípios brasileiros, recebe apenas R$ 1.460,00 reais para manter até 20 crianças e adolescentes em casas de abrigo.
Confira esse valor na informação do próprio governo clicando aqui.

Com recursos cada vez mais escassos e estrangulamento do Fundo de participação dos Municípios, cabe aos gestores municipais fazer mágica com parcos recursos.

Invariavelmente o resultado desse esforço são profissionais desqualificados, pouco ou nenhum investimento em formação continuada e falta de recursos básicos para manter as casas de abrigo em funcionamento.

Durante um breve período fui coordenador de uma Casa de Abrigo no interior do Paraná, e pude vivenciar a realidade dura e crua de crianças e adolescentes que acabaram sendo encaminhados para a instituição.

São crianças com deficiência, autistas e também jovens que não tiveram nenhum apoio educacional com falta de estrutura familiar decorrente da exclusão social e que também acabam encaminhados por conta de determinações judiciárias que tornam o acolhimento em casa lar a primeira opção e não a última.

Frente a todo esse desamparo, as crianças e jovens, especialmente autistas e deficientes, acabam em sua situação de vulnerabilidade, sendo alvos preferenciais do sintoma perverso de adultos, que promovem a violência e a agressão.

Via de regra os valentões e agressores são na verdade, grandes covardes.

A brutalidade cresce proporcionalmente a incapacidade de uma pessoa (ou animal) de reagir. O gozo do agressor está na possibilidade de submeter alguém e provar pra si mesmo sua virilidade.


Se a violência é mais comum contra pessoas de estatura física menor, mulheres, crianças, o que dizer de uma agressão contra crianças autistas, que em muitas situações, além de não poder se defender, ainda não podem verbalizar seu medo…
Precisamos ter muito cuidado com a qualificação dos profissionais que atendem nossos filhos. A perversão pode estar onde menos se espera.

Vamos sistematizar os problemas abordados nesse artigo?

  • Os recursos financeiros repassados aos municípios é ridículo;
  • O judiciário torna o encaminhamento a casa de abrigo como primeira escolha;
  • Não se investe em qualificação profissional para os profissionais que atendem;
  • a perversão humana colocada no local que pode dar vasão.

Como resolver a situação?

  • ampliar o valor do piso de alta complexidade para os municípios, vinculados a programas de qualidade no atendimento, assim como ampliar o Fundo de Participação dos Municipios – FPM;
  • investir em qualificação e valorização dos profissionais que trabalham dentro do SUAS nas casas de abrigo, de forma estruturada e coordenada nacional e estadualmente;
  • Conscientizar o judiciário de que o abrigamento é o último recurso;
  • Conscientizar a todos sobre as deficiências.

Aproveite para acessar nosso artigo da semana passada que trata sobre os efeitos da Reforma da Previdência para as Pessoas com Deficiência, clicando aqui.

Deixe uma resposta

Page Reader Press Enter to Read Page Content Out Loud Press Enter to Pause or Restart Reading Page Content Out Loud Press Enter to Stop Reading Page Content Out Loud Screen Reader Support
});